Escriba de Broalhos cronicando cenas no belogue sobre cultura audiovisual e artística

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Naturalismo e Realismo

Este é o século da Laicização do Pensamento, racional e pragmático.

Positivismo – primado da experiência empírica na construção do conhecimento

Cientismo – visão sobre a ciência como resposta messiânica aos desafios do Homem

A atitude que se impõe é o Racionalismo Positivista, teorizado por Comte e Kant, e por que só são tomadas por verdades científicas as que advêm da razão aliada à experiência – uma apologia do racionalismo e empirismo. Isto a par do Socialismo de Proudhon, que defendia um compromisso humanista de luta pela igualdade social, resposta aos emergentes problemas do proletariado.

No tumulto das revoluções científicas e filosóficas, a par das mudanças sociais e económicas, também a arte se projecta para um maior compromisso com a realidade objectiva. A desumanização e laicização da sociedade, consequências da industrialização e capitalismo que se instauraram

NATURALISMO

Corrente da 2ª metade do século XIX, por que a Arte devia representar objectivamente o visível quotidiano e natural. As temáticas e tratamento sentimental românticos são descartados.

Estes artistas levam o seu trabalho para o exterior dos estúdios e a proximidade ao referente natural impele os artistas a atentarem a pormenores de luz, tom, texturas. Privilegiava-se a representação paisagista.

A Escola de Barbizon é a iniciadora do movimento; compromete-se a pintar a Natureza como esta se apresenta. Nesta aldeia francesa, os artistas se viraram directamente para a Natureza, fugindo à agitação urbana e rigor académico para aqui explorarem uma expressão naturalista e se libertarem do fantástico, religioso ou histórico.

Rousseau, Daubigny e Corot, Boudin e Whistler são dos mais emblemáticos artistas desta corrente.

REALISMO

Corrente estética (pictórica e literária) que se afirmava como anti-académica, surgida em França, entre 1848 e 70, encontrando inspiração no mundo coevo, na realidade e contexto social concretos – sua preocupação máxima era a tradução objectiva da realidade. Trata-se de uma resposta ao exacerbado sentimentalismo fantasista romântico – “o Romantismo é a apoteose do sentimento; o Realismo é a anatomia do carácter, é a crítica do Homem”, escreveu Eça de Queiroz. O Romantismo fora idealista e medievalesco, enquanto o Realismo era fatalista quanto ao presente.

Privilegiava-se a representação crítica de motivos sociais, servindo-se de imagens rurais, de cenas alusivas ao quotidiano urbano ou campestre da classe trabalhadora, e de retratos e auto-retratos.

Esta pintura liga-se profundamente a conflitos sociais, como a reinvidicação do proletariado de melhores condições de vida, a afirmação socialista e crises económicas; representando-se labores de personagens comuns, anónimos.

Recuperam-se técnicas clássicas rigorosas de perspectiva, volumetria, gradação de tons, tratamento luminoso e de texturação, e representação anatómica metódica.

Courbet é o iniciador e grande teorizador do Realismo Pictórico. De convicções socialistas, este foi apologista de se pintar o sensível e tangível, defendendo a primazia da observação directa natural em detrimento do sonho e fantasia, afirmando “não posso pintar um anjo porque nunca vi nenhum”. Outros realistas foram Leibl e Fattori, Daumier e Millet. Deste último é a autoria da obra “As Respigadoras do Trigo“, talvez a obra mais emblemática do movimento. Esta compõe-se de uma cena do quotidiano rural, com protagonistas anónimas de rostos virados, que funcionam como símbolos do colectivo. É uma visão objectiva e rigorosa da realidade (camponesas trabalhando no seio da Natureza austera, humildes e resignadas) – uma obra ideológica, de convicções socialistas, alertando para a classe trabalhadora com autenticidade em detrimento de sentimentalismo. Trata-se de uma composição equilibrada, com as principais figuras em primeiro plano e dotadas de bom tratamento volumétrico (reunindo, assim, as características técnico-formais e conceptuais que caracterizam o movimento).


O Conhecimento Científico

1 – Caracterizar o senso comum como forma específica de conhecimento, realçando os seus aspectos positivos e negativos.

O “senso comum” resume-se a uma simples generalização de impressões dos sentidos, um conhecimento confuso definido por hábitos e relações de causalidade imediatas. É um conhecimento imperfeito, ainda que útil, por ser imediato, aplicável num concreto instantâneo/contexto do quotidiano. Apesar de propor generalizações, não se tratam das mesmas que a ciência promove – a generalização científica visa oferecer uma premissa  para deduções concretas; a generalização vulgar promove apenas uma premissa valente para certos hábitos. O senso comum é superficial e incompleto, subjectivo, ambíguo, a-metódico, mas essencial no dia-a-dia.

2 – Caracterizar a ciência, entendida como apropriação específica da realidade, cujos caracteres dominantes são a racionalidade, a objectividade, a positividade, a universalidade, a revisibilidade e a autonomia relativa.

O conhecimento científico aspira à universalidade dos seus resultados,  a crescentes objectividade e rigor, sendo metódico e sistemático, usando se linguagem técnica e abstraccionista. Trata-se de uma construção racional, uma análise objectiva de fenómenos e uma aproximação à verdade/uma tentativa metódica de explicar a realidade. E, para além disto, a ciência é também crítica e reformativa.

3 – Relacionar o senso comum e a ciência.

Portanto, ambas as modalidades do conhecimento têm o seu lugar: o senso comum procura objectivamente responder a problemas particulares, e responde a hábitos e causalidades imediatas, numa abordagem sem método algum, elementar, simplista, sendo ambíguo e imperfeito; o conhecimento científico já se aproxima progressivamente da abstracção, da universalidade, usando de clareza e rigor para atingir leis e teorias científicas por que se compreende a realidade.

4 – Definir “método científico” e compreender suas origens históricas na Idade Moderna.

O conhecimento científico caracteriza-se por ser um trabalho metódico, rigoroso, fiável. Este método constitui uma aproximação sincera à verdade, que com esta prática, deixa de depender de uma “autoridade” para depender de uma verificação experimental. O método científico é criado pelos pensadores do século XVI, pela Idade Moderna, primeiramente com René Descartes, Francis Bacon, Galileu Galilei e Isaac Newton. Descartes prende-se ao raciocínio dedutivo, matemático Bacon descobre leis científicas não pelo raciocínio silogístico aristotélico, mas pela observação e experimentação deliberadas, um método indutivo, empírico. Galileu preocupou-se com minar a autoridade de testemunhos falaciosos pelos quais se fazia a ciência na sua altura. Com a perda dessa garantia institucional, dá-se o advento do pensamento científico moderno, para que a abordagem sobre o estudo dos fenómenos não é meramente teórica e distante, mas empírica, aproximada, pela observação selectiva directa e pela experimentação propositada.

5 e 6 – Reconhecer as etapas do método científico hipotético-dedutivo; Articular diferentes etapas.

O método científico hipotético-dedutivo caracteriza-se por 3 momentos: a OBSERVAÇÃO, metódica e ordenada, selectiva (e por vezes instrumental) de um fenómeno; a colocação de HIPÓTESE explicativa provisória desse mesmo fenómeno, num acto imaginativo, construtivo de suposição de relações entre fenómenos, de raciocínios dedutivo, indutivo ou análogo; e a EXPERIMENTAÇÃO, por que se comprova a hipótese numa observação controlada. Deste trabalho científico se constrói modelos, Teorias ou Leis científicas, o objectivo último do método.

A ciência produz leis científicas por que depois se pode intervir sobre os fenómenos da natureza. A ciência deve “prever e prover”, segundo as palavras do positivista Auguste Comte – a ciência deve permitir ao Homem prever os fenómenos naturais, para que se possa prover de meios para os enfrentar.

7 – Explicar as insuficiências e limitações do raciocínio indutivo.

A ciência afasta-se muitas vezes de doutrinas antigas, como a lógica aristotélica, no enunciado de leis universais. Estas mesmas leis põem o problema de não poderem ser efectivamente verificadas à escala universal – e assim se evidencia o papel da indução na ciência moderna. Como as observações científicas são finitas, não se pode provar além de qualquer dúvida a universalidade de qualquer lei científica, e ainda assim a indução tem lugar na ciência, pois permite-lhe supor regularidades na natureza

8 –Analisar a concepção de ciência de Karl Popper.

Karl Popper era céptico quanto ao papel preditivo da indução, e propõe o problema da demarcação de teorias como científicas e não científicas. Para Popper, o objectivo da ciência é situar a realidade, através da teoria, o sistema hipotético-dedutivo; e a totalidade da ciência é dinâmica, avançando por entre possibilidades explicativas. Popper assume que o que se pode esperar da ciência é uma aproximação ao entendimento da realidade, e assim arrebate o positivismo pelo qual a ciência era infalível e cujas limitações não existiam, um dogmatismo linear que gerou uma visão simplista sobre os propósitos . A ciência é, em verdade, evolutiva, numa competição entre teorias, prevalecendo as melhores até que sejam substituídas por melhores. A ciência não é um conjunto de saber comulativo, antes progride com ideias arriscadas e pensamento especulativo provado falso – tudo isto parte de pensamento imaginativo, mesmo quando parte para a experiência, já que esta é orientada sob o planeamento inspirado de ideias – questões postas pelos cientistas à natureza a fim de esta responder ao esforço experimental com reacções fenoménicas. Popper exclui a indução, numa nova metodologia de investigação, o falsificacionismo.

9 – Explicar o método das conjecturas e das refutações que serviria para explicar, segundo Popper, o processo de investigação da ciência.

Pelo método do falsificacionismo, a teoria científica não aspira à verdade mas a uma especulação aproximada, e é válida até que se prove que é falsa – o método das conjecturas e refutações, por que a teoria é uma mera conjectura que se tenta substituir por outra mais precisa. Torna-se necessário provar não a verdade da teoria, mas a falsidade – para Popper, o erro é o motor da ciência. A sua postura epistemológica rejeita a ciência como um sistema de enunciados certos, mas antes de constante busca da verdade: “Não sabemos, só podemos conjecturar”. Popper admite a formulação de antecipações imaginativas, conjecturas, controladas por teses cuidadosos – a teoria falsificável é científica, pelo que a não falsificável, absolutamente correcta, não é científica. A falsificação das conjecturas é o trabalho da comunidade científica, que pode tornar a teoria falsificada, quando a prova falsa, ou “corrroborada”, quando até ao momento não conseguiu prová-la falsa.

Contrariamente aos positivistas, Popper entende a ciência não como enunciados perceptuais acumulados, mas antes um contínuo esforço de falsificação de conjecturas, hipóteses explicativas provisórias. A falsificação das conjecturas cabe à comunidade científica, através de testes sistemáticos. Assim, a ciência é naturalmente imbuída de um forte espírito crítico e capaz de imaginar e especular sobre a teoria sem restrições dogmáticas.

10 – Compreender o papel do erro na construção científica, segundo Popper, e as limitações do falsificacionismo.

Pela concepção epistemológica de Popper, o conhecimento científico é saber que pode ser tomado por errado, que é falsificável (daí chamar-se ao seu pensamento “Falsificacionismo”. Na concepção de Popper, o erro é, portanto, o motor da ciência, porque o erro provado de uma teoria impele a sugestão de uma nova, mais aproximada à realidade. Popper propõe isto na consciência de que nada pode ser universalmente verificado, havendo sempre um espaço de dúvida; a objectividade científica torna inevitável que todo o enunciado científico seja provisório. Às teorias, então, Popper prefere chamar “conjecturas”, até serem refutadas por novas. A experimentação da conjectura não verifica a sua verdade, antes o erro da mesma. Um teste que confirme a teoria não é definitivo, mas um que a refute já é. Uma conjectura ser corroborada significa que esta resiste por enquanto às tentativas de falsificação, não deixando de ser meramente provisória, até que finalmente seja refutada. Só experiências de convicção subjectivas, pensamentos algo religiosos, se podem tomar por completamente certos.

O falsificacionismo demarca, portanto, muito claramente o que é científico (falsificável) do não científico (que não pode ser falsificado) – Falsificacionismo, que questiona o valor preditivo da indução. Popper incute aos cientistas um procedimento racional de revisão crítica às suas convicções. Para os positivistas, que defendiam o poder preditivo da indução, o critério era a verificação empírica (Verificacionismo).

Contudo, o falsificacionismo tem o seu maior problema nesta mesma demarcação do que é científico ou não – ao se verificar um teste que refute uma conjectura, não poderá ser o caso que esse teste não tenha sido rigoroso o suficiente? E, caso se verifique a mesma refutação, quanto mais se deve tentar testar antes da refutação da conjectura? Aqui, o falsificacionismo depara-se com um problema difícil, a que responde, então, um comedido dogmatismo a que não é fácil pôr limites…

11 – Analisar a concepção de progresso científico de T. S. Kuhn de acordo com os conceitos-chave da sua epistemologia.

Kuhn entende que a evolução do conhecimento científico dá-se por abalos sucessivos, por recorrentes revoluções, rejeitando-se a produção de ciência por acumulação, mas antes por conflito. No pensamento de Kuhn, portanto, estão presentes estes conceitos:

Pré-Ciência – a actividade diversa e dispersa que precede a formulação da ciência universalizada

Paradigma – é o conjunto de elementos teóricos, linguísticos e instrumentais; é o modelo organizado de conceitos que legitimam o trabalho científico; os diferentes paradigmas surgem de criatividade e inovação, e são incomensuráveis, descontínuos, nunca estando directamente ligados.

Ciência Normal – ciência contextualizada no paradigma científico presente, representando um relativo conservadorismo face a modificações nos paradigmas, usando de estabilidade e não se propondo a inovar factos ou teorias, mas a resolver problemas postos

Comunidade Científica – o conjunto de indivíduos dedicados ao trabalho científico agregados pelo paradigma que partilham

Anomalia – desafio pontual ao paradigma

Crise – momento de acumulação de anomalias, em que o paradigma é seriamente questionado

Ciência Extraordinária – entra em ruptura com o paradigma, assumindo as anomalias

REVOLUÇÃO CIENTÍFICA – o paradigma é completamente substituído pela comunidade científica

Estes conceitos dividem-se por 3 momentos de cada revolução científica: a fase normal, em que a comunidade opera com a ciência normal o paradigma; a fase crítica, em que surgem as anomalias; e a fase revolucionária, em que rebenta a crise e a revolução. A mudança de paradigma dá-se por os cientistas encararem de forma diferente o seu universo de pesquisa.

12 – Mostrar como a concepção kuhniana de objectividade científica supõe a aplicação de um conjunto de características.

A teoria científica, segundo Kuhn, imbui-se de exactidão, por que deve existir reciprocidade entre a teoria e a prática, não existindo teoria sem factos ou vice-versa; consistência, havendo necessidade de fundamentação consistente, interna e externa; alcance, as suas conclusões devem chegar para lá das observações particulares e projectar-se universalmente; simplicidade, exibindo organização matemática; e fecundidade, por que uma teoria dá aso a novas observações e teorias. Por estes cinco critérios se avalia a adequação de uma teoria, a objectividade científica da teoria.

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