Escriba de Broalhos cronicando cenas no belogue sobre cultura audiovisual e artística

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O Cinema Mudo I

Da Europa, a Câmara emigrou para a América, e lá se descobriram as grandes expressões artísticas próprias do Cinema. Na América, o Cinema torna-se na Arte capitalista, na medida em que a sua criação requeria recursos que só grandes detentores de capital disponibilizavam, fazendo-o na forma de um investimento do qual esperavam geração de lucro. Tornou-se assim, rapidamente, numa expressão dominada pela aristocracia, que a usava como novo modelo de projecção social.

O Cinema, inicialmente, ligou-se às formas de entretenimento de palco, do drama ao burlesco, explorando também outros espectáculos, como desportos. “The Monroe Doctrine” foi a primeira fita a ser exibida publicamente nos Estados Unidos da América, a 1896, compondo-se como um programa de compilação de pequenos filmes. Contudo, só em 1902 o Cinema seria tomado como um espectáculo próprio, e projectado em salas preparadas, e esta inovadora exibição cinematográfica foi montada por Thomas Tally.

Todo o Cinema se impôs lentamente, demorando-se a criar espaços específicos para projecções, ou mesmo técnicos qualificados – nos primórdios do cinema, os parcos recursos forçavam os poucos especializados a assumirem várias funções. Entre os grandes pioneiros, constam Porter, Blackton e Bitzer, ainda que o maior vanguardista técnico e artístico do Cinema seja Méliès.

O Cinema adquiriu, progressivamente, um papel predominante na sociedade. Como espelho da conduta social, era factor de integração para imigrados. Na projecção de actualidades coevas, o cinema tornou-se grande fonte de informação (agora um precioso registo histórico). E, na promoção de ideologias ou partidos políticos, tornou-se propaganda e assumiu uma função paramilitar. Devido ao fraco sentido crítico da massa, o Cinema adquiriu um grande poder persuasivo. Um reflexo da realidade e das preocupações sociais, o Cinema alerta às problemáticas, informando e estimulando o público.

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Arquitectura Romântica

O Academismo Clássico é rejeitado, em prol de novas convicções de irregulariade volumétrica, efeitos luminosos, planos imbuídos de movimento e decoração pitoresca. A Arquitectura Romântica, em vez de domar a Natureza, vai-se mesclar nela, fundindo-se harmoniosamente, imitando-a, buscando nela inspiração e medida – agora, torna-se notória a preocupação com a inserção do edifício no meio envolvente.

A sua estruturação é irregular e variada, e a tendência decorativa é para a grande atenção aos pormenores, usando-se ferro e tijolo vidrado, os novos materiais industriais.

Revivalismo eclético e exótico – é como pode ser chamado o modo como a arquitectura romântica floresceu; reunindo inspiração nos estilos arquitectónicos passados de cada nação europeia, e fundindo-os entre si e com os de civilizações exóticas, da Ásia ou África. Reinventam-se os estilos bizantino, mourisco, indiano, românico, gótico, renascentista, barroco, com a adição das novas influências modernas e da mística que cada autor imprimia aos seus projectos.

Em Portugal, a arquitectura oitocentista inspira-se no românico, gótico, manuelino, mourisco e oriental. Desde o Palácio da Pena, à Estação Ferroviária do Rossio, à Praça de Touros do Campo Pequeno, ao Palácio do Buçaco, ou ainda (tardo-romântica) a Basílica de Santa Luzia


Gustave Eiffel e a 1ª Exposição Universal

O engenheiro Gustave Eiffel (1832-1923) representa o exponente máximo da ruptura tecnológica e científica na Europa do século XIX. Suas obras incluem os projectos da Torre Eiffel, da Estátua da Liberdade e das comportas do Canal do Panamá, de carácter pioneiro e emblemático.

Herdeiro do espírito inventivo da Revolução Industrial, quando a Arquitectura é do primado dos engenheiros, responde às novas questões postas pela novidade com soluções pragmáticas e estetas – a simbiose entre a funcionalidade e a nova estética. O engenheiro substitui o arquitecto por ter uma formação tecnicamente mais adequada aos novos meios de construção, além da sua sensibilidade pragmática.

A generalização do uso do ferro e do vidro possibilita o surgir de novas respostas para plataformas de transportes ou para estruturas de edifícios. E, detendo Inglaterra uma poderosa indústria siderúrgica, vai mais rapidamente adoptar estes novos paradigmas de construção.

As exposições universais, começadas na segunda metade do século XIX, surgiram como fruto da necessidade de divulgar e partilhar novas informações, produtos e tecnologias da Revolução Industrial. A primeira, realizada em Londres, a 1851, teve lugar no “Palácio de Cristal”, grande êxito funcional e estético, executado rapida e economicamente, vindo a marcar a grande ruptura com os conceitos arquitectónicos clássicos como grande paradigma do edifício moderno, inspirando imitações por todo o mundo. As exposições universais personificavam a apologia da maquinaria e tecnologia sobre a tradição.

Os engenheiros afirmaram, com o Palácio de Cristal, a sua nova apologia à modernização das edificações, aos materiais industriais (ferro e vidro), à estruturação orgânica sobre as paredes, aos espaços translúcidos.


Escultura Romântica

Na medida em que as suas técnicas não permitem explorar a espontaniedade do artista como outras artes fazem, a Escultura não ganhou grande destaque entre os Românticos.

As composições são movimentadas e dramáticas, exaltando a expressividade emocional das representações, que deixam de ser estáticas e polidas como no Neoclassicismo. Os temas passam pela inspiração natural/animal, pela Alegoria, pela fantasia literária ou histórica e pelo retrato. Muitas vezes a Escultura Romântica jogou com contrastes de preenchimento e vazio, combinações de texturas e pormenores aparentemente inacabados.

PREAULT – conhecido pelas suas posições pacifista e socialista (“Massacre”)

RUDE – notáveis altos-relevos e estatuária de vulto redondo (“A Marselhesa”, alto-relevo)

BARYE – preferiu temas animalistas (“Jaguar devorando Lebre”)

CARPEUX – marcado pelo erotismo, naturalismo, dinamismo e tensão, através da sinuosidade do escorço (torção) nos seus corpos, e o carácter exacernado do sentimento do assunto (“Ugolino” ou “A Dança” na Casa de Ópera Parisiense)

Entre os escultores portugueses, constam Victor Bastos ( exaltou heróis como Camões com forte expressão emocional) e Camels (estátua equestre de Pedro IV); Ambos colaboraram na decoração escultórica do Arco da Rua Augusta.


Pintura Romântica

É na pintura que o movimento romântico vai encontrar a sua mais forte expressão. Encontrou expressão por toda a Europa e pelos Estados Unidos. Géricault e Delacroix, na França; Friederich, na Alemanha; Turner e Constable, na Inglaterra; Goya, na Espanha.

Em Portugal, cingiu-se a uma expressão dispersa, pouco consistente, essencialmente impulsionada por estrangeiros radicados ou de passagem. Praticou-se especialmente a Paisagem naturalista, a História Medieval, a Vida rural e mística e o Retrato. Alguns dos grandes nomes nacionais desta corrente são Roquemont (focado na vivência campestre), Luís Pereira Menezes (grande retratista), Tomás da Anunciação (preferiu cenas bucólicas, e foi acima de tudo Naturalista), Francisco Metrass (exalta episódios históricos de grande relevância simbólica em Portugal).

Os “Nazarenos“, grupo alemão neoclássico inspirado pela Roma renascentista, será uma das principais influências da pintura desta corrente (estes almejavam uma arte depurada, que regressasse à valorização espiritual, ao virtuosismo artístico do Renascimento). Entre os principais seguidores dos Nazarenos, estão os “Pré-Rafaelistas“, que reagiram contra a Academia, centrada no Renascimento, para se focarem no Gótico e no Renascimento anterior ao pintor Rafaello Sanzio. Estes pintores ingleses tardo-românticos criaram a transição da Pintura para o Realismo e para o Simbolismo.

O Pintor Romântico faz valer a sua expressão pessoal, libertando-se dos ditames da encomenda externa para seguir os impulsos artísticos dos seus estados de espírito. Deste modo de pensar a Arte, nasce uma Pintura individualista e diversa, que inova tanto na forma como na plástica (representando mesmo o advento da grande renovação pictórica que acontece no início do século XX)

As Temáticas da Pintura Romântica passam por representações:

  • Históricas – de que se preferem os episódios medievais, numa leitura enaltecedora do herói idealista e abnegado que se entrega à sua causa;
  • Literárias – buscando inspiração nos romances de cavalaria medievalescos, nos clássicos (como Virgílio) e nos renascentistas (como Dante ou Shakespeare);
  • Mitológicas – nórdica e cristã, com grande acentuação no misticismo e espiritualidade da mensagem;
  • Retratistas – de ofício ou honra, mas também de populares anónimos, e, por regra, em representações subjectivas, emocionais, psicológicas;

Contudo, a Pintura Romântica vai incidir sobre novos referentes, como:

  • Temáticas da Actualidade coeva socio-política, como desastres, reinvidicações sociais, lutas nacionalistas e libertação de minorias etnicas (sendo a pintura romântica muitas vezes marcada por um sentido intervencionalista);
  • Temáticas Oníricas, em que se explora a imaginação do autor, as suas fantasias, sonhos, o subconciente e absurdo dos seus pensamentos;
  • Costumes populares, tradições e hábitos folclóricos
  • Civilizações exóticas, não-europeias, como o Norte de África, a China ou a Índia;
  • Vida Animal
  • Paisagens, numa representação emocional, em que o autor usava a Natureza para espelhar seus sentimentos/estados de espírito.

GÉRICAULT – obcessecado com o dramatismo heróico e a condição humana, reflectidos com exacerbada emoção.

DELACROIX – orientalista, sensual, cruel, dirigido à mensagem política, expressando-se através da exaltação dos sentidos.

FRIEDERICH – prefere paisagens inóspitas e agrestes, em que o Homem representa uma oposição, uma perturbação do estado indómito natural, sugerindo meditação, devaneios interiores, comoção; é parco em detalhes e mantém o público em certa suspensão/indefinição.

CONSTABLE – é dos que mais veracidade imbui às suas representações da Natureza (nas formas, cores e ambiências), ainda que não deixe de transformá-la, numa composição idílica de grande sensibilidade e poesia (“a pintura não é senão outra palavra para sentimento”).

TURNER – entrega-se frequentemente a cenas marinhas, por diferentes ambientes climáticos,  muitas vezes desenhando uma baixa linha de horizonte e atribuindo grande peso visual ao céu, cujos jogos de luz e cor quase se tornam precursores do Impressionismo. Apesar de a presença humana não ser estranha às suas obras, é normalmente cingida a um segundo plano, em prol da própria Natureza envolvente.

GOYA – muita da sua obra é marcada de um tom sinistro, trágico; seus retratos são ecléticos, extendendo-se pelas várias castas da sociedade.

A Execução da Pintura Romântica

A espontaniedade e a o individualismo marcam esta forma de Arte. Recebe ainda muitas influencias do academismo neoclássico, usando tratamentos de claro-escuro realistas e naturalistas, comportando excepções que simplificaram o desenho das formas e as sombras, estilhaçando as noções de tridimensionalidade. Os valores emocionais da cor ganharam grande destaque nas preocupações do autor, que criaram fortes constrates e intensas transições de claro e escuro, obtendo dramatismo luminoso para exacerbar a sentimentalidade e expressividade. Frequentemente, os artistas traduziam as suas ideias tão-somente através de aguadas, esboços ou formas pictóricas incompletas, que lhes valeram a rejeição por parte das autoridades académicas.

O trabalho a cor foi preferido sobre o desenho linear, e preferiu-se o óleo e a aguarela, com pincelada fluída e espontânea (entre outras novas formas de trabalhar os meios actuantes, como a aplicação das tintas com esponjas ou com os dedos), o que reduzia a nitidez dos volumes.

As estruturas na composição são movimentadas, desequilibradas, sinuosas, oblíquas, desviando os focos de atenção. A figura humana é representada em escorço, não obedecendo aos cânones clássicos, movendo-se de forma dramática.


Um pentelho da Rainha Vitória…

Vitória, vitória, acabou-se a história…


História da Fotografia IV

O Movimento Pictoralista

A sua aspiração foi imitar a pintura, promovendo a Fotografia como forma legítima de arte. Inspiram-se na composição pictórica, e insistem na educação do olhar para a harmonia das formas.

Com este movimento, surgem as “objectivas de artista”, um retrocesso técnico na óptica que pretendia imitar os resultados de Julia Margaret Cameron, produzindo imagens esbatidas, difusas. O movimento chega igualmente a trocar a câmara escura moderna por modelos rudimentares como os do Renascimento.

 

Eugène Atget foi um fotógrafo ambulante em Paris, criando uma vasta crónica da cidade no século XX, consistindo o seu espólio de perto de 4600 chapas. Este género de fotógrafo ficou muito em voga neste tempo.

 

A Decomposição do Movimento

A Fotografia passou também a ser um método de análise do movimento dos seres vivos, permitindo a visualização de vários instantes dum movimento.

1872 – Governador da Califórnia financia Maybridge para estudar movimentos com fotografia

1878 –Maybridge usa 24 câmaras para fotografar sequencialmente um cavalo a galope

1881 – Maybridge e Marey colaboram e publicam “The attitudes of Animal Motion”

1887 – Publicam “Animal Locomotion” e desenvolvem seus estudos, avançando para o movimento humano

Ambos desenvolvem tecnologia para os apoiar:

Cronofotografia de Marey – obtem num só fotograma o desenvolvimento do movimento, situando-se o referente num fundo negro e disparando a câmara em intervalos regulares sobre a mesma chapa

Espingarda Fotográfica, de 1882, fazia 12 captações por segundo

 

A Tricromia

A experiência dos pintores ensinara que uma mistura, em proporções convenientes, de vermelho, azul e amarelo produzem quase toda a gama de cores visíveis. Assim, usam-se filtros verde, violeta e laranja nas exposições (estas sendo as cores complementares das três primárias). Charles Cros e Ducos du Haron apresentam simultaneamente à Sociedade Francesa de Fotografia descrições deste método. No fundo, obtêm-se três negativos sucessivos do mesmo referente, com filtros verde, violeta e depois laranja entre a objectiva e a chapa; negativos que são sobrepostos na passagem para positivo.

Este é ainda o princípio da Fotografia a cores.

 

O Processo Autochrome

1908 – processo criado pelos irmãos Lumière, usado por alguns anos, mas descartado por ser caro e exigir longas exposições. Consiste num fino mosaico de partículas transparentes de grão microscópico de amido da batata tingido de roxo, vermelho e verde, por onde a luz era filtrada antes de sensibilizar a película. Esta Fotografia autocromática, quando ampliada, revelava os múltiplos pontos coloridos de que era constituída.

 

A Fotografia Surrealista

O movimento surrealista, oficializado pelo manifesto de Andre Breton, pretendia recriar mundos puramente imaginários, fantásticos. Era a expressão de artistas que povoavam estúdios e cafés, mas essencialmente literária. Só depois é adoptada pelas artes plásticas e visuais, por homens como Max Ernest, Man Ray (conhecido pelos fotogramas, papel sensibilizado com sombras, e solarizações, exposições à luz durante a revelação), Salvador Dali, Brassai, Maurice Tabard (solarizações, montagens, danificação do negativo com calor), Wols (naturezas-mortas com referentes banais, como coelhos ou alho), Dora Maar, Hans Bellmer (usa como principal referente uma boneca que criou), Eli Lotar, Claude Cahun (explora espelhos, reflexos), Herbert Bayer, Stysky, Piere Molinier (montagem e auto-retrato em disfarce feminino), Horst-Paul Horst, Vormwald, William Wegmen, Joel-Peter Witkin (sexualidade e morte)… Trata-se essencialmente de tecnica e artisticamente seguir o espírito do estranho, bizarro, que o movimento promove.