Escriba de Broalhos cronicando cenas no belogue sobre cultura audiovisual e artística

Tipos de Montagem

Rítmica

Visa criar ritmo no filme, alternando tempos fortes e fracos, dando ordem e proporção no espaço-tempo. Segundo J. P. Chartier, um plano não é percebido da mesma forma no início ou no fim. Há um momento de exposição, para reconhecer a imagem; e um momento de atenção reforçada, para entender o contexto do plano. Se o plano se prolongar demais, gera impaciência. O ritmo cinematográfico é precisamente a relação da flutuação de atenção do espectador e a duração do plano.

A percepção intuitiva do ritmo advém da sucessão de planos sugerida. No ritmo, intervém o dinamismo cénico do plano e a sua extensão. Acontecimentos rápidos traduzem-se numa sequência de planos curtos, e acontecimentos psicológicos numa sequência mais lânguida.

Este tipo de montagem liga-se muitas vezes ao ritmo musical de banda sonora (exemplo disto é grande maioria dos primeiros videoclips).

Métrica

Visa jogar com proporções dos planos, com a sua extensão. A tensão aumenta com a mecânica sucessiva diminuição da extensão dos planos. Nesta montagem existe um notório padrão por que se vão regendo os cortes, e é sensorialmente estimulante

Analógica

A sequência de planos induz conotação, faz ligações de ideias, analogias. (No filme “Tempos Modernos”, num plano está um rebanho de ovelhas e no seguinte um bando de operários, comparando a ausência de vontade própria dos representados)

por Antítese

Esta montagem sugere relações de causalidade com planos de significados opostos. (Em “O Fim de St Pitsburg”, de Pudovkim, imagens de soldados caindo e da queda de acções na bolsa traduzem uma ideia que os liga)

Narrativa

Conta uma história com o seguimento de fragmentos duma realidade cuja sucessão sugere uma tonalidade significativa. É um tipo de montagem dirigido ao descritivismo, ao contrário dos restantes.

  1. Linear – é a mais simples das linguagens narrativas cinematográficas; trata-se de uma exposição cronológica dos eventos narrados.
  2. Invertida – esta montagem deixa de seguir as directrizes cronológicas, usando de analepses/”flashbacks” ou prolepses/”flashfowards”
  3. Alternada – esta montagem envolve a mudança de perspectivas num mesmo evento, desenvolvendo-se este por caminhos diferentes paralelos contemporâneos
  4. Paralela – esta montagem sugere acções paralelas que se vão estender por vários espaços; esta pressupõe uma progressiva aproximação simbólica entre as acções para a sua justaposição vir a fazer sentido; para a montagem paralela, não é necessário que as acções sejam simultâneas. (Em “Intolerance”, de Griffith, a queda da Babilónia, o martírio de São Bartomoleu, de Cristo e a condenação dum inocente nos Estados Unidos conduzem para um só sentido – a condenação social ou religiosa)

One response

  1. Linnea

    Epah, ainda bem que pões a matéria de vídeo aqui, ser-me-á muito útil! :)

    Hoje vi o filme Caramel (2007), libanense, e até achei piada, fora os clichés de filmes pseudo-femininos. E por falar nisso tenho de ver filmes do Almodóvar!
    Ontem vi o Johnny Guitar, e aconselho!

    15 de Outubro de 2010 às 22:46

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