Escriba de Broalhos cronicando cenas no belogue sobre cultura audiovisual e artística

Montagem

O conceito da montagem cinematográfica não surge imediatamente com o próprio Cinema. Antes, a montagem está associada à mera junção de partes, que mesmo juntas não passam a representar propriamente um organismo – a montagem industrial.

Com a teoria de Sergei Eisenstein, a montagem é entendida como um processo criativo recorrente – na escrita, na pintura, na música… Contudo, a montagem cinematográfica destaca-se por nesta a separação das partes permanecer evidente. Numa sucessão de acordes, por exemplo, estes podem-se mesclar numa sequência mais dificilmente divisível. Já no Cinema, o corte da imagem está patente. Eisenstein propõe que se explore a descontinuidade da montagem, e assim esta é associada ao vanguardismo, como quando a poesia quebra as regras de métrica ou sintaxe.

A montagem impõe-se como um segundo momento criativo do filme.

A teoria da montagem não começa com Eisenstein, mas logo com a primeira construção de uma narrativa convencional, com D. W. Griffith. Lev Kuleshov vem depois evidenciar o papel da montagem como a justaposição de detalhes isolados forma um todo no espectador. A montagem encadeia associações de ideias, comparações, acções, tece uma lógica, de que não é totalmente possível separar o subjectivo. A montagem pode ser criada como choques entre planos ou transições suaves quase imperceptíveis. A montagem pode criar ritmos de visualização. A montagem pode revelar diferentes pormenores. Todas estas possibilidades tornam a montagem um exercício criativo tão importante no filme quanto a sua produção.

O montador, portanto, tem um relevo importante na obra final. Este será um estreito colaborador do realizador, intervindo quase tão activamente.

Em suma, uma boa montagem dum filme não o deve a cortes ou efeitos, mas à coerência que confere à narrativa do filme. A montagem não deve esconder o corte, mas antes mesclá-lo com a história,  enfatizando a emoção e as motivações da narrativa.

A montagem não é um mero trabalho técnico de agregação de planos, mas antes uma criação linguística, que impõe um estilo e uma mensagem. Segundo Bretton, a montagem preside a organização do real, inteligível e sensível, visando uma obra artística emotiva, dramática, onírica, alertante. Pudokvin chama à montagem “fundamento estético do filme”.

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