Escriba de Broalhos cronicando cenas no belogue sobre cultura audiovisual e artística

Maneirismo e Pintura Maneirista

"La Deposizione", de Rosso e de Pontormo

Chegado o auge da expressão renascentista, os artistas iniciam uma segregação do que se tomava por excelência artística. Michelangelo abandona, nas últimas fases do seu trabalho, o realismo típico para uma visão idealizada da temática a representar – altera proporções e adopta expressões diferentes das habituais. No final da sua vida, Michelangelo adopta uma liberdade e rudeza atípicas do anterior realismo racionalizado, chegando mesmo a deixar marcas das suas ferramentas nos produtos finais, a que imbui maior emoção. Criam-se tendências antagónicas, que advêm da afirmação individual de artistas, que marcará a transição para o estilo Barroco. O Maneirismo deve a sua designação ao facto da arte se tornar “amaneirada”, feita como dita a maneira pessoal do artista, que se propõe criar composições mais complexas, fluídas e sinuosas, e lança o desafio técnico do trompe d’oeil na pintura mural e o escorço exagerado, os contrastes cromáticos fortes, as expressões fisionómicas densas e cenografia sofisticada – tudo para acentuar as emoções. O Maneirismo entende-se entre 1525 e 1600, e toma-se simultaneamente por uma fase decadente da arte, por analogia renascentista, mas também por uma fase precursora do modernismo.

"La Madonna dal Cullo Lungo", de Parmigianino; "Allegoria del trionfo di Venere", de Bronzino

Michelangelo e Raffaello são os percursores desta forma de arte, que os jovens que os seguem adoptam, como Il Rosso ou Pontormo. Rosso Fiorentino usa em “La Deposizione” uma grande amálgama de figuras contrastantes do fundo escuro numa actividade confusa e agitada. Jacopo da Pontormo, tratando a mesma temática, evidencia ainda mais os contrastes cromáticos e a azáfama narrativa.

A estes segue-se Parmigianino, que se afastou do conceito da beleza do observável, para explorar uma beleza fantástica. Agnolo Bronzino desenvolve um tacto sofisticado e subtil para o nu marmóreo, sensual mas frio. Tintoretto é do Maneirismo veneziano, conhecido por “Il Furioso”, preenchia os seus quadros com acção acessória elegante. Corregio enche a sua obra de misticismo católico e mitologia clássica.

Em suma, a Pintura adopta composições complexas, em que as figuras são torcidas em escorços demarcados e se toma um cuidado especial à decoração mural com o trompe d’oeil, recriação de espaço aberto sobre superfície opaca. A emoção é drasticamente dramatizada, a anatomia distorcida e alongada, recorrentemente em nu, com contrastes cromáticos fortes. A figura é esguia, elegante, contorcida e muito musculada, os tons sombrios, a temática essencialmente religiosa, o idealismo exacerbado e a instabilidade propositada, com sombras irreais criadas para isso.

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