Escriba de Broalhos cronicando cenas no belogue sobre cultura audiovisual e artística

“How to train your dragon”

"How to train your dragon", de Chris Sanders e Dean DeBlois

A DreamWork Pictures volta a conseguir prodígios com a tecnologia tridimensional, primando no imenso detalhe hiper-realista no filme inteiro, desde as fibras das roupas, a pelos, cabelo e barba, a cera a derreter a cenas subaquáticas.

A história passa-se numa aldeia Viking, onde vive um povo guerreiro a que Hiccup tenta pertencer. Ele é pequeno e fraco, não como os restantes Vikings, e por isso acham que ele não será como os demais. Contudo, um dia, ele captura um dragão, os inimigos mortais da aldeia, e sem ninguém mais saber, trava amizade com a criatura, que é incapacitada e não pode voar sozinha.

Trata da obsessão que por vezes nos faz esquecer quem os outros são, trata de nos sabermos valer, apesar das dificuldades, trata de ter engenho, e sobretudo, de não tomar nada por certo de imediato, porque “tudo o que sabiam sobre dragões estava errado” – os dragões não lutavam para destruir a aldeia, mas para conseguir víveres…

A história é baseada no livro homólogo de Cressida Crowel, embora a produção, a meio da execução do projecto, tenha decidido afastar-se do rumo do livro.

Os realizadores, Chris Sanders e Dean DeBlois, trabalharam ambos previamente em filmes de animação como “Lilo & Stich” e “Mulan”, e contaram com banda sonora do compositor John Powell. As dobragens original e portuguesa são ambas apropriadas para as personagens, coordenadas com o visual, agradáveis. O filme não desenvolve tanto as personagens quanto às suas relações, ao seu passado, à sua própria personalidade – fazendo um pouco das personagens um desfile de arquétipos cinematográficos, o que não prejudica tanto o filme, que se faz valer e transpõe essa barreira com maior envolvimento e desenvolvimento emocional directo.

É um filme muito bem conseguido pela técnica, que contou até com Roger Antony Deakins, conhecido cinematógrafo inglês, mas igualmente pela história, que não deve ser interpretada por analogias com a sua inspiração, mas entendida como uma obra independente

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