Escriba de Broalhos cronicando cenas no belogue sobre cultura audiovisual e artística

Diário VI

Caldelas, 23 de Agosto de 1951

RETÁBULO

Debaixo de ramadas de silêncio

Um Baco melancólico medita.

Gasto, o seu coração já não palpita

Com a força do mosto encarcerado

Na redonda prisão de cada bago.

E o sol da vida, que num doce trago

Bebia a cada hora,

Nem lhe apetece, nem o aquece, agora.

Morrem os deuses quando desesperam.

Quando não podem, como já puderam,

Ressuscitar do corpo a cada instante.

Quando a dor que os magoa é semelhante

À dor que os inventou – necessidade

De raras perfeições quotidianas

Que pareçam divinas e humanas

E tenham neste mundo eternidade.

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