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Síntese de Epistemologia (Racionalismo e Empirismo)

Descrever a estrutura do acto de conhecer, de acordo com a perspectiva fenomenológica segundo Hartmann.

Segundo Hartmann, o acto de conhecer compõe-se de dois intervenientes, o sujeito cognoscente e o objecto cognoscível. O sujeito tem nesta relação uma função activa, partindo para fora de si mesmo até ao objecto. É então que apreende as suas características, e regressa a si mesmo, tomando consciência do que aprendeu. O acto de conhecer dá-se, portanto, em três tempos, em que o sujeito passa a conhecer o objecto, ganhando assim consciência deste, mas em que o objecto permanece inalterado, pois as suas características não transmutam, antes o sujeito cria ele mesmo construções próprias nele mesmo, que são imagens do objecto.

Explique as questões fundamentais da Gnosiologia e as soluções clássicas para essas questões.

A Gnosiologia, ocupando-se do estudo, da teoria do conhecimento, dobra-se cobre questões como “O que é o conhecimento?”, “O que se pode conhecer?”, “Como alcançar o conhecimento?”. Na história da Gnosiologia, houve duas grandes escolas de pensamento centradas sobre os problemas da origem e possibilidade do conhecimento: o Racionalismo e o Empirismo.

O Racionalismo viu na Razão a fonte do conhecimento, nas estruturas lógicas, matemáticas, universalmente válidas, obtidas por inferências dedutivas. O Empirismo, por sua vez, reconhece apenas como conhecimento válido o que advém da experiência, do testemunho dos sentidos.

Caracterize a perspectiva racionalista do conhecimento, apresentando as teses fundamentais desta filosofia para as questões da origem e da possibilidade do conhecimento.

O Racionalismo é o primado da Razão, das ideias inatas, que não procedem da experiência, mas antes são património originário da razão, fonte de poder bem julgar. Foi defendido, na Era Moderna, primeiro por Descartes, que via na pureza matemática e lógica a chave para o conhecimento certo. Para conseguir livrar-se de todo o conhecimento falacioso, portanto, Descartes aplicou sobre tudo a Dúvida, questionando a sua própria existência. Da total pureza de preconceitos, sem usar dos testemunhos enganosos dos sentidos, Descartes começou metodicamente a reconstruir o seu conhecimento, questionando-se sempre e usando somente o pensamento e o Método, o modo pelo qual devia pensar. No fundo, para Descartes, a Razão era prévia ao indivíduo, e universal a todos os outros. Era da Razão que advinha o verdadeiro conhecimento, das inferências dedutivas, lógicas.

Contraponha à tese racionalista a tese empirista acerca da origem do conhecimento.

Para o Racionalismo, a verdadeira fonte de conhecimento é a Razão, o pensamento lógico decantado dos testemunhos ilusórios dos sentidos. Por outro lado, o Empirismo vê na experiência humana a única forma de obter conhecimento, não havendo nesse caso património cognoscível a priori, como diz o Racionalismo. Para o Racionalismo, através da Razão o espírito humano passa a conhecer as verdades prévias do mundo. Para o Empirismo, é com a experiência que o espírito humano ganha consciência de conceitos, estando antes vazio por natureza.

Relacione a insistência de Descartes na busca de um método com o seu Racionalismo Filosófico.

Há semelhança do pensamento matemático, o pensamento racionalista de Descartes também se guiaria por regras de Lógica. A verdade não é mistério nenhum ao intelecto humano se este a procurar com a correcta orientação, que é para Descartes o Método,que se serve da Dúvida hiperbólica. Descartes usa a Dúvida segundo o método para que o seu uso seja eficaz, capaz de produzir verdades indubitáveis.

Fundamente a importância da dúvida na formulação da filosofia cartesiana do conhecimento.

Para Descartes, os sentidos, como podiam ser confundidos por ilusões ou sonhos, eram enganadores, e, logo, nenhum conhecimento advindo destes não seria válido. Descartes achou, então, que tudo quanto conhecia devia ser questionado: daqui surge o papel da Dúvida radical no seu pensamento filosófico. Para Descartes, a Dúvida completa é o ponto de partida para a construção do saber verdadeiro, necessário, lógico. Para Descartes, o critério da verdade é a clareza e a distinção que a razão lhe garante, e daí que a dúvida seja tão importante, para garantir que a verdade que se acha é indubitável.

Evidencie o papel de Deus na fundamentação do racionalismo inatista cartesiano.

Descartes acha na Dúvida absoluta o meio pelo qual se pode atingir as verdades racionais – estas verdades são sustentadas por Deus, entidade de que provém a Razão. Tendo, através do seu Método e da Dúvida, provado a sua própria existência, Descartes passou a provar a existência de Deus como garantia da sua existência e da sua capacidade de raciocinar. Descartes entende Deus como um “génio maligno” que permite aos homens ilusão e erro, mas de que simultaneamente provém a certeza, já que a verdade da existência de Descartes não é questionável.

Mostre quais são as teses fundamentais do empirismo, entendido como filosofia de David Hume.

O Empirismo, sistematizado por David Hume, opôs-se à teoria de Descartes racionalista. Para Hume, a fonte do conhecimento é experiência do Homem, a ciência natural de observação e experimentação. “Não há nada na razão sem que primeiro tenha estado nos sentidos” – máxima escolástica medieval de que parte o Empirismo. Todo o conhecimento começa com a experiência – impressões sensíveis são as unidades básicas do conhecimento. O conhecimento tem dois estados de percepção/tipos de conhecimento: Impressões – actos originários do conhecimento, imagens e sensações da experiência, da realidade; Ideias – representações debilitadas das impressões no pensamento, marcas deixadas pelas impressões passadas. Portanto, em Hume, as Ideias derivam das Impressões, logo, da experiência, renegando-se assim a noção de Ideias Inatas.

Explique a questão da origem, fundamento e validade das ideias segundo a filosofia de David Hume.

Hume considera que a origem do conhecimento é a experiência humana, que depois forma ideias que se associa para constituir o conhecimento. Um conhecimento é válido na medida em que derive de experiências sensíveis de que este se componha. Para Hume, apenas das percepções sensoriais e experienciais somos capazes de ter ideias e impressões do objecto a ser apreendido, ou seja, num plano mais amplo, do Conhecimento. Hume, chega a três conclusões: as ideias são a origem do nosso conhecimento; é através de associações que se constrói o conhecimento; a única forma de saber se a ideia corresponde à verdadeira representação da realidade é decompô-la em outras experiências sensíveis elementares das quais ela deriva. Das experiências resultam dois géneros de conhecimento: Impressões – sensações; Ideias – imagens das impressões sensoriais, produtos da imaginação. Por fim, se todo o conhecimento deriva da experiência, o Empirismo desliga-se do supra-sensível, das questões metafísicas, que os empiristas olham com cepticismo.

Analise a importância da associação de ideias e o fundamento do princípio de causalidade em Hume.

Da experiência advêm impressões, que são as unidades básicas do conhecimento, e a mente humana pode trabalhar associações dessas impressões. Quando o Racionalismo se prendia ao Gestaltismo (que entendia as coisas como um todo, uma estrutura organizada maior que a soma de partes), o Empirismo virou-se ao Associacionismo (que entende as partes e a sua soma como formando o todo). No Empirismo, entendem-se dois tipos de conhecimento: Conhecimento de Ideias – surge de construção de associações de ideias, memórias, conhecimentos lógicos, matemáticos, não resultam directamente de impressões, informação intuitiva, demonstrativamente certa, conhecimento tautológico; Conhecimento de Factos – surge do confronto de experiências, proposições verdadeiras posteriormente, conhecimento meramente hipotético, se entendida a experiência como particular.

Para associar ideias, Hume enumera três princípios: Semelhança, Contiguidade e Causalidade. “Uma pintura leva naturalmente os pensamentos para o original; a menção duma divisão faz inquirir sobre o restante edifício; pensando numa ferida, dificilmente nos abstemos da reflexão sobre a dor que a segue”. O princípio da Causalidade é pelo qual se prevê algo porque se repete uma experiência novamente, produto do hábito, desejo de transformação duma expectativa em realidade. Uma declaração acerca de dois objectos serem causa ou efeito tem de ser preservada em diversos exemplos em que sejam observadas. A vinculação entre causa e efeito decorre do sentimento de crença, não podendo ser tomado como inferência lógica e válida. Esta análise da causalidade resulta num cepticismo controlado.

Explique como Kant ultrapassa o impasse entre empirismo e racionalismo.

Kant, primeiro racionalista, ao descobrir em Hume o papel fundamental da experiência sensível, cria uma concepção intermédia entre a experimentação e a razão. Para Kant, não há conhecimento propriamente dito sem impressões sensíveis (adoptadas graças à faculdade da Sensibilidade, que depois são pensadas e associadas pela faculdade do Entendimento). A perspectiva de Kant concilia a razão e a experiência, simultaneamente aproximando as doutrinas racionalista e empirista e respondendo também ao cepticismo e evitando o dogmatismo.

Distinga realismo de idealismo.

O Realismo é uma corrente filosófica ligada ao mais próximo entendimento da realidade como ela é percepcionada, quando o Idealismo já a concebe como uma construção mental individual.

Caracterize o “senso comum” como modo específico de abordagem da realidade.

O Senso Comum é adaptativo, tratando-se de uma forma de compilar informações de forma utilitária. É a adaptação às situações concretas e à necessidade de viver individual e colectivamente. É uma abordagem ao conhecimento particular, vulgarmente usado no quotidiano, composto por hábitos ou relações de causalidade imediatas. É um modo simples, um conhecimento prático, espontâneo, imediato, baseado nos sentidos, subjectivo.

Apresente uma noção de ciência  e mostre como esta rompe com os dados do senso comum, entendido como um obstáculo epistemológico.

A noção de Conhecimento Científico implica rigor, universalidade, métodos. O Conhecimento Científico parte sempre almejando um pensamento colectivo, racional, experimental, crítico. É construído numa linguagem técnica, objectiva, para compreender, explicar e transformar a realidade. Analogamente, o Senso Comum é simplista, imperfeito, mesmo falacioso, por não ter nenhuma abordagem rigorosa à realidade, particularizando-se em matérias concretas do dia-a-dia, mesmo com o propósito único de viver o quotidiano adaptativamente. A ciência aspira a ultrapassar essa limitação e conseguir conhecimento verdadeiro, necessário, preciso, a que o Senso Comum não chega.

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