Escriba de Broalhos cronicando cenas no belogue sobre cultura audiovisual e artística

Diário VI

Salamanca, 22 de Abril de 1951 – Há nesta Espanha um lado que me fere sempre: a constância. Terra dum largo alento, onde cada paisagem insiste na retina horas a fio, o tempo das suas reacções é diferente do nosso, habitantes que somos dum microcosmos, e por isso homens de espasmos e de mutações. Incapazes, por condenação telúrica, destas sementeiras em grande, destas arquitecturas em descomunal, destas façanhas em absoluto, mesmo nos melhores tempos da nossa valentia ficámos sempre aquém da fúria castelhana. Vasco da Gama necessitava de ter as costas quentes com os canhões da armada; Cortês, esse desembarca de espada em punho e manda queimar os navios para que nem ele nem os companheiros pudessem fugir à aventura.

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