Escriba de Broalhos cronicando cenas no belogue sobre cultura audiovisual e artística

Diário VI

Sevilha, 16 de Abril de 1951 – Por mais esforços que faça, um português não consegue entender uma terra como Sevilha. Creio mesmo que talvez nenhum visitante, pois que a força catalizadora do ambiente é de tal ordem que o forasteiro, arrastado pela irrealidade colectiva, nunca mais reencontra a solidão que a crítica necessita.

Aqui, Deus passeia pelas ruas, a volúpia vem do próprio ar que se respira, a beleza tropeça connosco a cada esquina. Uma caleche a rodar, é o carro de fogo de Elias em pleno voo. As mulheres ondulam como palmeiras. E ninguém pode dizer ao certo se conseguirá descobrir o caminho de saída dos jardins ou palácios encantados onde se meteu. Se houve um encontro feliz de raças e de civilizações, foi na Andaluzia. Nas mãos quiromantes destes ciganos o catolicismo perdeu o seu ar pesado e tornou-se mágico. Por sua vez o esquivo africanismo árabe, diante da hombridade espanhola, emendou-se. E uma nova casta humana surgiu da simbiose. Gente que baila, que canta e que ama com a conivência do céu. Uma espécie de vida eterna em rodagem, num paraíso experimental.

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