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O Racionalismo & Descartes

O Racionalismo é o primado da Razão, das ideias inatas, que não procedem da experiência, mas antes são património originário da razão, fonte de poder bem julgar, da distinção do verdadeiro e do falso, do Homem e dos animais, universal, funções teóricas que servem uma função prático-moral – instrumento de conhecimento e de acção.

Platão é o percursor do Racionalismo, mas é mais tarde Descartes quem o sistematiza na Era Moderna.

Primeiramente, entenda-se o conhecimento como uma crença verdadeira e justificada.

Descartes rejeita o testemunho dos sentidos, que são falaciosos, mas não totalmente, e há juízos seus que não se podem negar, e todavia esses mesmos juízos podem derivar de sonhos ou ilusões. Nesta amálgama, existe o pensamento racional, que é a verdadeira indubitável fonte de conhecimento. E o próprio ser pensante é a primeira verdade que Descartes encontra como certa. Para Descartes, a base do conhecimento é a Dúvida Metódica, dúvida decorrente de uma amálgama de novidades científicas e culturais do seu tempo, como a questão sobre a própria natureza do universo (geocêntrico ou heliocêntrico?). Descartes concebia a existência de uma Mathesis Universalis, uma ciência geral da ordem e medida, do bom funcionamento da razão, do entendimento humano, metódica.

O Racionalismo, apesar de impulsionado pelo pensamento grego, deixa de legar a importância de antes dos Silogismos, que para Descartes são apenas bons para educar e não para descobrir. Para tal recorria-se um Método, um instrumento científico de aplicação da razão em busca da Verdade. Disto derivam o Ideal Cartesiano (uma só razão, um só método, um só saber) e a sua mais conhecida obra, “O Discurso do Método“.

Descartes entende os saberes hierarquizados deste modos:

  1. A Razão, a Metafísica, a Filosofia primeira, as Ideias Inatas, raiz do conhecimento
  2. A Física, a Ciência do Mundo, Filosofia decorrente da primeira
  3. Os Saberes Aplicados – Medicina, Mecânica, Moral

Três grandes formas de saber predominam em Descartes:

  1. As Ideias Inatas são sementes de verdade prévias, irrefutáveis.
  2. A Razão é a procura duma cadeia de razões consequentes das Ideias Inatas – contém duas operações intelectuais: a indução, “Luz natural da razão”, com evidência das ideias inatas; e a dedução, operação que parte das ideias inatas conhecidas para conclusões matemáticas desconhecidas.
  3. O Conhecimento Seguro, universalmente válido, objectivo, logicamente necessário.

E, todo o saber, para Descartes, tem de advir d’O Método:

  1. Regra da Evidência – ideias claras e distintas, que são a Intuição
  2. Regra da Análise/Divisão – decompor um problema complexo nos seus elementos mais simples
  3. Regra da Síntese e Ordem – reconstituir o todo começando pelas partes mais simples e mais elementares seguindo uma ordem
  4. Regra da Enumeração – rectificação final, Indução, ter a certeza de nada haver omitido

O exercício sistemático da Dúvida Metódica é o fundamento do Método Cartesiano. Desta Dúvida máxima, Descartes pode apenas concluir o seu famoso mote: Cogito ergo sum, Penso logo existo. E deste primeiro princípio verdadeiro, real, Descartes prova também a existência de Deus e do Mundo.

Estes quatro elementos compõem o seu Itinerário Filosófico:

  1. Dúvida Metódica, que Descartes radicaliza, torna hiperbólica, estende a tudo. As ideias, os pensamentos, são o que existe, e são modos do “eu”, do “cogito” – estas têm estatuto lógico, logo, como modos do “eu”, são iguais; e, ainda, estatuto ontológico, por que elas variam.
  2. 1ª Verdade/Certeza – “Cogito ergo sum”, intuição, união de duas ideias inatas, pensamento e existência, momento idealista, solipsista.
  3. 2ª Verdade/Certeza – Deus existe como garantia de toda a verdade e toda a existência
  4. 3ªVerdade/Certeza – Mundo existe como extensão geométrica

As Ideias subdividem-se, segundo Descartes, em:

  • Adventícias – provêm do mundo exterior, de objectos sensíveis, e, para Descartes, são confusas e obscuras;
  • Factícias – provenientes da realidade exterior, e compostas pela imaginação, ideias deturpadas, igualmente obscuras; tratam-se de más construções de imagens externas;
  • Inatas – ideias provenientes da Razão, do Intelecto, “naturezas simples” conhecidas através da intuição, certas e evidentes, que nos conduzem à verdade, ao saber.

Das Ideias Inatas, parte a origem das demonstrações, deduções da existência de Deus, para que Descartes apresenta 3 provas. Deus, existindo, portanto, é a garantia do Mundo Físico, a Res Extensa, espaço tridimensional geométrico, extensão de movimento e realidade mecânica sujeita a leis constantes criadas por Deus. Deus é também a solução ao problema gnoseológico da necessidade duma confirmação do conhecimento contra o cepticismo.

Descartes assume, à imagem do platonismo, a existência de uma alma imortal – não é o único racionalista tentado à enunciação de dogmas na sua teoria, já que os racionalistas acham a razão, e os entendimentos dogmáticos que fazem dela, como única via para alcançar o conhecimento.

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