Escriba de Broalhos cronicando cenas no belogue sobre cultura audiovisual e artística

Diário VI

Mérida, 15 de Abril de 1951 – Não calha bem, Roma fora de Roma. A Grécia soube escolher os panoramas da sua expansão, e na Sicília a gente sente-se no ambiente helénico que os livros descrevem: o monte escalvado em cima, o Mediterrâneo azul em baixo, e Júpiter, das suas gaiolas jónicas ou dóricas, a ver os mortais divididos entre as necessidades do corpo e as exigências do espírito. Os Césares, porém, sôfregos de poder, quiseram engolir o mundo, e qualquer chão lhes servia para ostentar a monumentalidade da sua força. Sem olhos para os matizes da paisagem, erguiam circos nos vergéis provençais e templos a Diana na aridez do Alentejo. A lomba da mesma ponte arqueava-se indiferentemente sobre as águas de qualquer rio, torrencial ou idílico. Formalistas e frios, só a eficiência das construções utilitárias e em série os contentava.

Por mim, confesso que me não entusiasmam as colunas e os capitéis que deixaram pela Ibéria adiante. Em vez de obras de arte, parecem-se baluartes de ocupação.

De resto, no capítulo de beleza, creio que os senhores do Lácio nunca convenceram ninguém fora de casa. Novos ricos do tempo, tarimbeiros e demandistas, tinham na alma a grossura maciça destas pedras.

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