Escriba de Broalhos cronicando cenas no belogue sobre cultura audiovisual e artística

Diário VI

Coimbra, 22 Fevereiro de 1951 – Considerações a uma jovem autora de literatura infantil, que me veio mostrar as produções. Tentativa penosa para lhe demonstrar que o nosso espírito adulto se torna incompreensível a uma criança quando tentamos imbecilmente macaquear a inocência. A pobre senhora não percebia que o que confunde a criança é irmos para ela com uma mentalidade sub-infantil. Não via que o natural é já de si maravilhoso para quem começa, e que acrescentá-lo dum maravilhoso anti-natural é no fundo baralhar dois mundos, e criar apenas confusão.

Nada. Não me fiz compreender. E despedi-a com esta mãozada: O pornográfico não é dizer a uma garota que o irmãozinho saiu da barriga da mãe, pois que se deriva apenas o menor do maior; é fazer-lhe crer que vem de França pendurado no bico duma cegonha.

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