Escriba de Broalhos cronicando cenas no belogue sobre cultura audiovisual e artística

Dialéctica Aristotélica

Platão, heliolatra, adora a luz, como animismo da Ideia de Bem, de que tudo participa, nem que indirectamente. Para Platão, a Dialéctica é o meio pelo qual se chega perto do Mundo Inteligível, e a Dialéctica, segundo Sócrates, seu mestre, era uma cadeia de questões e respostas, é uma discussão cooperativa.

O pensamento platónico divide-se num dualismo: o Mundo Inteligível e o Sensível, a que se associam, respectivamente, a Dialéctica Platónica e a Retórica Sofística, Dogmatismo e Cepticismo.

A Retórica Sofística valorizava as opiniões particulares, era cepticista e relativista, uma técnica de manipulação e sedução de auditórios, uma erística, uma justa de razões, pessoais, em que não importa o conteúdo da verdade, mas a sua utilidade.

A Dialéctica Socrático-Platónica valorizava a verdade dogmática, una, com um sentido inerente de ética e moral, era prévia, ideal, necessária, inteligível.

Aristóteles levanta-se contra o dogmatismo da Dialéctica Platónica, o relativismo e cepticismo sofísticos, e concebe a Verdade como amoral e como uma construção verosímil. A Retórica Aristotélica concebe a Verdade como uma construção do Raciocínio, não moral ou imoral, mas amoral, não dogmática, dependente da intenção e uso que lhe dava o sujeito.

A Argumentação Aristotélica considera-se assim dividida:

Argumentação Científica – faz-se uso da demonstração, da Lógica Formal;

Argumentação Dialéctica – faz-se inferências dedutivas de premissas hipotéticas, visa as conclusões universais;

Argumentação Erística – faz uso de premissas inválidas ou simula conclusões que rigorosamente não derivam das premissas;

Argumentação Retórica – faz uso das figuras de retórica Entimema e Exemplo, prende-se à persuasão.

A retórica, com Aristóteles, torna-se um instrumento útil, verosímil, neutro, indispensável à comunicação. Perelman escreve que é “porque o domínio da acção é o da contingência, que não pode ser regido por verdades científicas, que o papel dos raciocínios dialécticos e dos discursos retóricos é indispensável para introduzir alguma racionalidade no exercício da vontade individual e colectiva“. Perelman, com Aristóteles, faz da verdade algo a descobrir e a actualizar – o erro deixa de ser da mensagem, mas da intenção e uso que lhe dá o sujeito.

Mais do que denunciar a Doxa (Opinião) como inferior à Episteme (Ciência), a argumentação aristotélica promove a construção do verosímil, o debate argumentativo fora dos ditames científicos austeros.

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