Escriba de Broalhos cronicando cenas no belogue sobre cultura audiovisual e artística

Método Socrático

A Apologia de Sócrates” foi dos primeiros escritos de Platão, que reproduz a defesa do mestre perante o tribunal ateniense. Sócrates, nascido pobre e desprendido dos bens materiais, denunciava: “Preocupais-vos com amealhar riqueza, mas não da alma”. Sócrates achava a Filosofia um exercitação verbal por que se alcançava a sabedoria. Sócrates passeava-se pelas ruas e inquiria cidadãos e debatia com cada.

Um cientista afirma o que sabe, mas um filósofo afirma o que não sabe. Dos filósofos, os sofistas fazem discursos vãos, que reflectem apenas a sua habilidade como “doutores de memória”. Já os socráticos ligam-se ao diálogo intersubjectivo.

O Método Socrático dialéctico trata-se de filosofar mediante uma cadeia de perguntas e respostas, e divide-se em dois momentos – Ironia e Maiêutica:

Ironia – Neste momento, liberta-se o interlocutor do seu saber falso faz-se-lo reconhecer a sua ignorância. Esta é a Arte de Interrogar um saber falso, preconceituoso, para dele tomar-se consciência crítica. É uma fase do discurso destrutiva, fundamentada na máxima da Douta Ignorância: “só quem sabe que não sabe está apto a procurar o saber”.

Maiêutica – Esta é a Arte de Parturejar, construir conceitos por um meio de um raciocínio partilhado entre os participantes do diálogo. É o momento da construção conjunta de uma discussão por que se chega ao verdadeiro saber.

O seu método de dialéctica advinha de dois aforismos seus: “só sei que nada sei“, a douta ignorância, humildade intelectual; “conhece-te a ti mesmo“, auto-conhecimento, na sua dimensão antropológica. O objectivo deste método dialéctico não é a vitória verbal, mas a condução a um conhecimento genuíno da realidade questionada – a retórica deixa de ser tomada como uma disputa entre oponentes (erística) mas antes um exercício crítico cooperativo de verdade e entendimento (dialéctica). A retórica socrática foca-se antes no intelecto, em detrimento da emoção. É o método do elenco, do exame.

Arete, a virtude e excelência são o conhecimento, para Sócrates. A perfeita realização humana pressupõe o amor à sabedoria, à verdade una adormecida na alma. Philippe Breton lembra que Sócrates e Platão atacam o relativismo sofista e fazem da retórica “um instrumento intelectual ao serviço da busca da verdade e não simplesmente uma técnica para convencer indivíduos de opiniões que se formam à margem dela“. A retórica converte-se em dialéctica filosófica e aparece subordinada à procura da verdade.  O sofista é encarado como um demagogo e a persuasão visada pela retórica sofística é descrita como manipulação – o demagogo conduz o povo com estratégias políticas emocionantes, que para Aristóteles são corruptas e democraticamente degeneradas; o manipulado perde-se da sua dimensão crítica, e o manipulador joga nessa acriticidade.

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