Escriba de Broalhos cronicando cenas no belogue sobre cultura audiovisual e artística

Arte Islâmica

A arte islâmica é a proveniente das nações de influência muçulmana. Está intimamente ligada à própria religião Islâmica, que tem 5 grandes fundamentos:

Monoteísmo; Alá é o Deus único, e Maomé seu profeta;

Oração diária feita cinco vezes, em comunidade ás sextas-feiras;

Esmola;

Jejum pelo Ramadão (mês de celebração da aparição do anjo Gabriel a Maomé);

Peregrinação a Meca.

Esta religião deriva das tradições judaico-cristãs: foi criada por Maomé, nascido a 570 d.C., que casou rico e levou uma vida abastada. Aos 40 anos, o anjo Gabriel surge-lhe, e aí torna-se a voz de Deus. A sua Hégira da cidade natal, Meca, começa a 622, e esse é o início do calendário muçulmano. No exílio, em Medina, ergue um exército e conquista Meca. Morre em Jerusalém, em 632, onde é elevado aos céus, sob o Monte de Salomão, onde agora está a Mesquita Al-Aqsa, a Cúpula do Rochedo.

4 califas sucederam Maomé na governação política e espiritual do império muçulmano que se expandia progressivamente; até que os Omíadas tomaram o poder e tornaram a sua passagem hereditária. Depois, os Abássidas tomam o poder, e depois o império fragmenta-se definitivamente em múltiplos califados e emirados independentes.

Caracterizam a arte islâmica na generalidade:

Diversidade e Unidade – assimilação cultural das múltiplas conquistas mescladas no único império muçulmano

Aniconismo – proibição religiosa de idolatria; a fidelidade religiosa a que se presta a Arte

Geometria – apreciada como forma decorativa, conhecida até por “arabescos”

Exuberância – associada à minúcia, ao requinte das mais áureas manifestações desta Arte

Arquitectura e Artes Aplicadas – os principais focos da Arte Islâmica; cinzelamento, azulejaria, cerâmica, tapeçaria, caligrafia e iluminura

A arte muçulmana queda-se muito à dimensão do Homem, não perseguindo o divino, como já o faz a arte cristã; acha o vazio hórrido, e mantém uma grande preocupação com a harmonia do espaço envolvente das obras, com especial carinho por jardins, lembretes das maravilhas do Éden.

As maiores cidades muçulmanas foram Damasco, Cairo, Samarcanda, Bagdade, Samarra, Istanbul, Granada, Córdova. Na Península Ibérica, onde uma peculiar convivência muçulmana e cristã se deu, nasce uma arte singular, a arte moçárabe, que culmina de ambas as influências, unidas no território cristão ocupado por muçulmanos.

Elementos estruturantes da Arquitectura Muçulmana:

Arcos em ferradura/ultrapassado; trilobado ou polilobado (partido em vários arcos no próprio arco); rebaixado; com ou sem alfiz (ornamento rectangular); entrecruzado; com ou sem muqarnas (estalactites artificiais

Abóbadas, simples ou de pendentes

Cúpulas, sobre tambor ou pendentes

Colunas de sustentação com fustes lisos e capitéis na tradição romana, com rendilhados florais estilizados

Uma Cidade Muçulmana:

Medina – a praça principal; Madrasa – escola religiosa; Palácio; Soukh – mercado; Mesquita – templo; Caravansar – pousada de mercadores; Banhos/Termas; Alcaçaria – lugar administrativo

A arquitectura muçulmana preferiu o tijolo cru, o gesso, o mármore, a madeira, o azulejo e o mosaico. É dada importância, religiosa, às mesquitas, aos túmulos e aos ribat, conventos fortificados da guerra santa.

A casa muçulmana é, à imagem da grega, centrípeta.

A arquitectura divide-se em vários regionalismos: persa, mughal (indiana), otomana, mourisca, fatímida, africana e chinesa (sido-islâmica).

As Artes Ornamentais usam do azulejo, da pintura, da madeira, do gesso e do mármore, criando decorações policromadas e geométricas.

A Escultura tem as técnicas de buril (gravura), relevo, moldagem, damasquiano (sulco aberto e preenchido com fio de ouro), presente em frisos corridos e objectos escultóricos.

Principais ramificações espacio-temporais da Arte Islâmica:

Na Península Ibérica, a fragmentação do califado de Córdova foi violenta, e deu lugar aos reinos dos taifas. nestes reinos, o uso do tijolo, do gesso e da argamassa foram mais comuns, em detrimento da pedra e mármore. A decoração abundou, sob a forma de florais estilizados e motivos geométricos e epigráficos. O seu auge foram os palácios e as alcáçovas.

A Arte dos Almorávidas, do Norte de África, dividiu-se em dois períodos: um primeiro, de gravidade austera decorativa, de que resulta uma nova mesquita totalmente caiada e sem minarete; em segundo, uma forma decorativa que fará a tradição hispânico-muçulmana.

A Arte dos Almóadas almeja purismo de formas, simplicidade. Tornam-se comuns as figuras geométricas interlaçadas e depois intercaladas com grandes intervalos. Esta Arte sobrevaloriza o minarete.

A Arte Nazari, ou Nasride, divide-se em duas grandes vertentes de arquitectura: a funcionalidade, que usou materiais perecíveis (argamassas e tijolos para banhos, alcáçovas e muralhas); e o requinte, praticado em palácios onde se investiu mármores ricamente adornados e vastas superfícies de gesso cinzelado em motivos vegetalistas, geométricos e epigráficos.

A Arte Mudéjar era uma reinterpretação por artífices árabes ou mouros encomendada por patronos cristãos, em que se procurava a estética tipicamente muçulmana.

A filosofia muçulmana é a de uma abstraccionista, niilista, de concepções vazias de imagem.

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