Escriba de Broalhos cronicando cenas no belogue sobre cultura audiovisual e artística

“Utopia”, de Thomas Moore

Thomas Moore

Este é um clássico da Humanidade, escrito no Renascimento pelo inglês Sir Thomas Moore. Humanista católico, político e filósofo, Moore criticou a sua sociedade num livro escrito na forma de cartas a Pedro Giles com relatos de um marinheiro português, Rafael Hitlodeu, que terá ficado numa ilha por alguns anos, a que os habitantes chamavam Utopia.

A ilha teria a forma de uma Lua Crescente, com um diâmetro máximo de 200 milhas.

Nessa ilha, os habitantes coexistem numa sociedade perfeita, ou pelo menos assim advogam. O próprio Moore diz que, como humanista, não concorda com muitos aspectos da vida utopiana, mas que a Europa teria muito a aprender com os modos de Utopia.

Nesta sociedade muito própria, não existe propriedade privada; todas as posses são partilhadas. As casas são palácios que alojam um clã, unidade agregadora nas cidades – de tempo a tempo, os clãs trocam de palácios. Tudo o que é produzido é racionado propriamente, e o excedente é vendido às nações vizinhas mais pobres. Gemas e ouro são os brinquedos das crianças, e, quando embaixadores europeus chegaram a Amaurota, lá se acharam envergonhados pelos utopianos, que os chamaram de infantis, com tanta riqueza que tentavam transparecer…

A vida utopiana  parece perfeita, mas é rigorosa, pois existem horários para a actividade laboral e criativa, não havendo propriamente lugar para o ócio, que é mesmo menosprezado. Pensamento político exterior às assembleias é condenado, pois essas expressões poderão incentivar conspirações e golpes ao regime de eleição de representantes, que com os anciãos de cada clã combinam o governo da sua cidade. Quem não cumpre os ditames da vida utopiana pode ser condenado à escravatura – escravos fazem os trabalhos impuros, como o abate de gado.

Todas as cidades são muito semelhantes umas às outras, pelo que Moore prefer logo descrever Amaurota, a capital de Utopia, a maior das cidades: está na inclinação suave de uma colina, estendendo-se numa área quadrada até ao rio Anidro, sobre o qual passa uma grande ponte no local mais a montante das margens que tocam a cidade, para permitir que barcos ancorem nos portos.

Esta obra, à imagem d'”A República” de Platão, lança o debate sobre o que será uma sociedade ideal, em que a coexistência humana possa ser pacífica e divina, mas em que simultaneamente são negados privilégios ou direitos que a civilização ocidental acha sagrados.

Será que esses direitos individuais deveriam ser suprimidos em prol da felicidade comum, como sugerem os utopianos?

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