Escriba de Broalhos cronicando cenas no belogue sobre cultura audiovisual e artística

“Heavenly Sword”

Arte Conceptual de Nariko - "Heavenly Sword"

Este videojogo, produzido exclusivamente para a consola PS3 pelos estúdios Ninja Theory. Envolveu um grande esforço e especialistas aclamados e personalidades como Andy Serkis, conhecido pelo trabalho que fez como Gollum na trilogia cinematográfica “O Senhor dos Anéis“.

Este foi um dos primeiros títulos a surgir para a consola, e promete acima de tudo uma experiência cinematográfica: o aspecto visual deslumbrante, as animações fluídas, o enredo enleante funcionam harmoniosamente para criar um ambiente cinemático muito próprio.

A história segue a de uma relíquia sagrada, a Heavenly Sword (“Espada Celestial”), que foi deixada ao clã na batalha contra o cobiçoso Raven Lord (“Senhor Corvo”) para que protegessem o seu poder de mãos erradas. Entre o clã, existe a profecia que fala de um guerreiro a vir ao mundo em certo dia, sob o signo da Lua, para carregar a Heavenly Sword e salvar o clã da destruição. Nesse dia, nasceu Nariko, que passou a ser rejeitada no clã por ter possivelmente comprometido a concretização da profecia ao nascer. O pai, o mestre do clã, Shen, ama tanto a filha como a odeia, e receia o que a Heavenly Sword lhe possa fazer.

A história começa na batalha final com o exército de Bohan, em que Nariko sucumbe aos poderes da Espada e é levada ao Limbo. Lá, domina a Espada, revivendo as memórias dos 5 dias anteriores.

Bohan, terrível rei forasteiro de milhares de exércitos, viera para atacar o castelo do clã. Nariko e o clã resistiram a noite e a segunda manhã de batalha, tentando aí encenar uma retirada para Oeste e depois procurar refúgio a Este. Nisto, o clã é capturado pelo exército inimigo, e Nariko, para evitar a captura, não tem escolha senão usar os poderes da Heavenly Sword, que se diz trazerem igualmente uma maldição sobre quem os use.

Nariko encontra Kai, e ambas tentam libertar Shen e o resto do clã de Bohan e dos seus generais, que ocuparam o santuário milenar dos prisioneiros.

Depois de grande sacrifício, liberta os homens do clã e enfrenta o General Flying Fox (“Raposa Voadora”)e a Vergasta Whiptail (“Cauda-Chicote”). No duelo com a última, Nariko vence-a definitivamente, ferindo-a de morte, mas desmaia sobre o fardo da maldição. Bohan quebra o pescoço a Whiptail, sua anterior amante, e captura Nariko. Nisto, Kai tenta libertar Nariko e Shen, sendo capturada pouco depois de devolver a Heavenly Sword a Nariko. Nariko vai lutar contra Flying Fox, para vingar Kai, enforcada pelo General. Ao derrotar Flying Fox, Nariko descobre que Kai conseguiu sobreviver graças a um dos seus truques manhosos.

Juntas voltam para o reduto final do clã, com o exército do rei Bohan a segui-las de perto para um derradeiro assalto pela Heavenly Sword.

É, então, nesta batalha que Nariko sucumbiu à maldição, mas ao dominar a Espada, compra mais algum tempo para salvar o clã e regressa à vida na forma de Deusa Guerreira. Luta contra o próprio rei Bohan, que está a ser controlado pelo Raven Lord de outrora. Todavia, quando prestes a desferir o golpe final sobre Bohan, cegado pelo Raven Lord face à sua derrota, Roach, o filho hediondo de Bohan, pede misericórdia e carrega o pai para longe. Nos seus suspiros finais, cumprindo o acordo com a Espada, Nariko diz a Shen a verdade: ela nunca fora enviada pelos Céus, mas antes vingou pela sua própria determinação; a luta do clã pela profecia fora vã e falsa. Curando Kai no seu último momento, Nariko deixa o mundo, e os seus ritos funerais compõem a última cena do jogo, numa maravilha visual natural e realista e emotiva.

O “gameplay” não é inovador, mas é atractivo, com ênfase em momentos Quick Time Event, em que o jogador tem de reagir rapidamente para pressionar o botão correcto a tempo de a personagem executar determinada acção num momento de “cinematic”, que prometeria caso contrário nenhuma interactividade.

Pelo jogo, haverá momentos específicos em que deixamos de jogar com a protagonista Nariko e passamos a jogar com a sua amiga Kai, esquivando-nos furtivamente por ambientes hostis ou jogando o Twing-Twang, o jogo de morte da rapariguinha.

Trata-se de um quadro assemelhado às épicas imagens de guerreiros lendários orientais face a centenas de inimigos sem face. Essa foi outra promessa do jogo, a coexistência de múltiplas dezenas de personagens simultaneamente.

Outra característica interessante do jogo é o uso das possibilidades de detecção de movimento do comando da PlayStation3 em níveis que fazem uso de munição, como quando disparamos um lendário canhão do clã sobre a maquinaria de Bohan ou a besta de Kai.

O jogo divide-se em níveis agrupados em 6 capítulos“, e aproxima-se de muitos públicos, já que a mesma edição tem tradução integral em várias línguas, incluindo a Portuguesa, de que lamento a escolha de timbres para certas personagens, ou a pronuncia de alguns nomes numa forma “aportuguesada”; ainda assim a dobragem não está distante do ambiente do original, a coordenação é excelente, e a voz da protagonista está muito boa.

Por último, como qualquer bom filme, o jogo faz-se acompanhar de excelente banda sonora, composta por Nitin Sawhney, pendendo algures entre o ocidental e o oriental. É uma sonoridade muito agradável e apropriada, por vezes mesmo profundamente emotiva, especialmente o tema final.

O jogo inclui material de bónus desbloqueável, como “making-of“, imagens conceptuais e uma curta série animada sobre a história do clã que precede o jogo.

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