Escriba de Broalhos cronicando cenas no belogue sobre cultura audiovisual e artística

Sobre a Lógica

A relação entre o EU e o MUNDO estabelece-se no fluxo de informações (toda a massa de dados a que se tem acesso), conhecimento (informação filtrada e assimilada; implica apropriação pessoal crítica das informações), saber e pensamento (raciocínio lógico), que expressam a experiência humana e a aproximam do real.

Dos saberes, distinguem-se cinco:

technê – técnico-prático

poiesis – produtivo-prático

praxis – prático, ético-político

theoria – teorético, reflexivo

Nestes, Sócrates entende a ignorância como ponto de partida para a sabedoria, a pureza de preconceitos e saberes falsos – “só sei que nada sei”, a Douta Ignorância.

Piaget disse algo como: “pensar nasce da acção”. O pensamento nasce da interiorização de acções e consequente formulação de conceitos. As estruturas básicas do pensamento/da reflexão são os Princípios Lógicos da Razão Humana:

Princípio da Identidade – A=A

Princípio da (Não)Contradição – A não é B

Princípio do 3º Excluído – A ou B

Princípio da Razão Suficiente – “Tudo o que existe possui causa/razão de ser”

Heggel disse algo como: “a contradição é o motor do ser – é-se por não se não-ser”. Para estes estudos contribuiu também Leibniz.

Portanto, a Lógica é a ciência do Logos, do discurso ou da argumentação válidos, dos princípios gerais do pensamento. Por compor o estudo da argumentação, a unidade básica de estudo da Lógica é o argumento, sua noção elementar que se compõe de premissas de que resulta uma conclusão para justificar a aceitação do argumento. Argumentar é expressar um raciocínio.

As unidades de um argumento são:

Conceitos/termos, que fazem parte constituinte dos;

Juízos/proposições, que por sua vez são parte constituinte dos;

Raciocínios/argumentos

A verdade e a validade de um argumento são noções coexistentes independentes, uma não implica a outra. A verdade do argumento é determinada pela Ciência Empírica, dos factos e da experiência. A validade é determinada pela Lógica, que determina conclusões formalmente válidas – ou seja, a Lógica ocupa-se da estrutura, não da matéria do argumento.

A Lógica divide-se em duas formas de inferências, imediatas e mediatas. As últimas subdividem-se em dedutivas e indutivas.

A dedução parte da demonstração racional, quase matemática, em que as premissas geram uma conclusão válida exacta. A dedução parte do geral para o particular ou do geral para o mais geral; implica a necessidade lógica (algo que não admite excepção). A indução parte de argumentação, chegando a conclusões fortemente prováveis, mas não necessariamente exactas. A indução vai do particular (factual) para o geral; implica a plausibilidade ou contingência. Estereótipos e preconceitos são ideias indutivas, na medida em que de um pequeno dado tomam uma conclusão generalista. A intuição passa por uma leitura mais criativa, um conhecimento mais imediato.

A Demonstração liga-se à dedução e à Lógica Formal; a Argumentação à indução e à Lógica Informal.

Na Lógica, os silogismos são argumentos com duas premissas de que se conclui necessariamente uma terceira. Compõem-se de 3 termos, um maior, um menor e um médio. A posição do termo médio nas premissas maior e menor determina a figura do silogismo:

1ª Figura – o termo médio é sujeito na primeira e predicado na segunda premissa;

2ª Figura – o termo médio é predicado em ambas as premissas;

3ªFigura – o termo médio é sujeito em ambas as premissas;

4ªFigura – o termo médio é predicado na primeira e sujeito na segunda premissa

Os silogismos, para serem válidos, têm necessariamente de obedecer a 8 regras:

1 – O silogismo tem três termos: maior, médio e menor (esta regra pode ser infrigida, por exemplo, através da falácia do termo médio ambíguo, em que o termo médio representa duas realidades simultaneamente).

2 – Nenhum termo pode ser mais extenso na conclusão que nas premissas.

3 – O termo médio não entra na conclusão.

4 – O termo médio tem de ser universal pelo menos uma vez.

5 – Duas premissas afirmativas não formam conclusão negativa.

6 – De duas premissas particulares nada se conclui.

7 – De duas premissas negativas nada se conclui.

8 – A conclusão segue a “parte” mais fraca.

Segundo Perelman, a Argumentação Lógica ocupa-se de:

Assegurar que as premissas são admitidas pelo auditório;

Reforças a presença de espírito do locutor;

Precisar o seu sentido e alcance;

Expor os argumentos em favor da tese (por ordem de poder persuasivo crescente, decrescente ou nestoriana, que ordena fracos, fortes e novamente fracos).

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