Escriba de Broalhos cronicando cenas no belogue sobre cultura audiovisual e artística

História da Cultura e das Artes

Neo-Impressionismo

Começado em França, no final do século XIX. Seus artistas incluem Seurat e Signac.

Consideravam que a pintura impressionista não respeita a aplicação rigorosa da Teoria da Cor, que na sua espontaniedade negligenciava a correcta exploração da Teoria.

Usam de uma técnica lenta e laboriosa da partição de tons – enquanto os impressionistas representavam as suas “impressões” imediatas, os neo-impressionistas sistematizavam-nas metodicamente.

Nascem as técnicas do Divisionismo e Pontilhismo, que usavam pontos de cores complementares, que não se misturavam efectivamente, para aludir à forma – concedeu-se primazia total à expressão da cor, numa construção rigorosa marcada por desenho severo mas expressivo.


Naturalismo e Realismo

Este é o século da Laicização do Pensamento, racional e pragmático.

Positivismo – primado da experiência empírica na construção do conhecimento

Cientismo – visão sobre a ciência como resposta messiânica aos desafios do Homem

A atitude que se impõe é o Racionalismo Positivista, teorizado por Comte e Kant, e por que só são tomadas por verdades científicas as que advêm da razão aliada à experiência – uma apologia do racionalismo e empirismo. Isto a par do Socialismo de Proudhon, que defendia um compromisso humanista de luta pela igualdade social, resposta aos emergentes problemas do proletariado.

No tumulto das revoluções científicas e filosóficas, a par das mudanças sociais e económicas, também a arte se projecta para um maior compromisso com a realidade objectiva. A desumanização e laicização da sociedade, consequências da industrialização e capitalismo que se instauraram

NATURALISMO

Corrente da 2ª metade do século XIX, por que a Arte devia representar objectivamente o visível quotidiano e natural. As temáticas e tratamento sentimental românticos são descartados.

Estes artistas levam o seu trabalho para o exterior dos estúdios e a proximidade ao referente natural impele os artistas a atentarem a pormenores de luz, tom, texturas. Privilegiava-se a representação paisagista.

A Escola de Barbizon é a iniciadora do movimento; compromete-se a pintar a Natureza como esta se apresenta. Nesta aldeia francesa, os artistas se viraram directamente para a Natureza, fugindo à agitação urbana e rigor académico para aqui explorarem uma expressão naturalista e se libertarem do fantástico, religioso ou histórico.

Rousseau, Daubigny e Corot, Boudin e Whistler são dos mais emblemáticos artistas desta corrente.

REALISMO

Corrente estética (pictórica e literária) que se afirmava como anti-académica, surgida em França, entre 1848 e 70, encontrando inspiração no mundo coevo, na realidade e contexto social concretos – sua preocupação máxima era a tradução objectiva da realidade. Trata-se de uma resposta ao exacerbado sentimentalismo fantasista romântico – “o Romantismo é a apoteose do sentimento; o Realismo é a anatomia do carácter, é a crítica do Homem”, escreveu Eça de Queiroz. O Romantismo fora idealista e medievalesco, enquanto o Realismo era fatalista quanto ao presente.

Privilegiava-se a representação crítica de motivos sociais, servindo-se de imagens rurais, de cenas alusivas ao quotidiano urbano ou campestre da classe trabalhadora, e de retratos e auto-retratos.

Esta pintura liga-se profundamente a conflitos sociais, como a reinvidicação do proletariado de melhores condições de vida, a afirmação socialista e crises económicas; representando-se labores de personagens comuns, anónimos.

Recuperam-se técnicas clássicas rigorosas de perspectiva, volumetria, gradação de tons, tratamento luminoso e de texturação, e representação anatómica metódica.

Courbet é o iniciador e grande teorizador do Realismo Pictórico. De convicções socialistas, este foi apologista de se pintar o sensível e tangível, defendendo a primazia da observação directa natural em detrimento do sonho e fantasia, afirmando “não posso pintar um anjo porque nunca vi nenhum”. Outros realistas foram Leibl e Fattori, Daumier e Millet. Deste último é a autoria da obra “As Respigadoras do Trigo“, talvez a obra mais emblemática do movimento. Esta compõe-se de uma cena do quotidiano rural, com protagonistas anónimas de rostos virados, que funcionam como símbolos do colectivo. É uma visão objectiva e rigorosa da realidade (camponesas trabalhando no seio da Natureza austera, humildes e resignadas) – uma obra ideológica, de convicções socialistas, alertando para a classe trabalhadora com autenticidade em detrimento de sentimentalismo. Trata-se de uma composição equilibrada, com as principais figuras em primeiro plano e dotadas de bom tratamento volumétrico (reunindo, assim, as características técnico-formais e conceptuais que caracterizam o movimento).


Impressionismo

Esta tendência artística europeia (acima de tudo, parisiense) do final do século XIX propõe-se a criar pintura mais intuitiva e espôntanea, visando captar a realidade sensorial, explorando fenómenos luminosos e atmosferas cambiantes naturais – isto devido à atitude positivista que progressivamente se afirmava, por que se prefere os sentidos aos sentimentos, e devido à afirmação da Fotografia como meio técnico de representação rigorosa, que desafia a pintura a procurar novas expressões que escapam ao registo somente naturalista.

Encontra as suas principais influências em Turner, em Courbet, na Escola de Barbizon e na estamparia japonesa (esta caracterizada por uma concepção livre da forma e da perspectiva, linear, de cores claras e puras, e de temáticas populares).

Este movimento reprovava veementemente a arte académica e o trabalho em estúdio. A pintura impressionista exclui preparações prévias e aperfeiçoamentos finais. A tinta preparada previamente e disponível em tubos de zinco portáteis garantiu aos artistas mobilidade, permitindo que trabalhassem em locais naturais.

Descobertas científicas no domínio do comportamento da luz e da cor (como as levadas a cabo por Newton ou Young ou Chevreul) permitem que se enuncie a Teoria da Cor, de que partem noções rigorosas de como se operam contrastes cromáticos – conhecimento basilar para os artistas impressionistas. Os trabalhos impressionistas dão grande ênfase à luz, e são as cores que constroem as formas, em pinceladas rápidas e curtas, justapostas em função da síntese aditiva de cores complementares, que criavam assim a gradação tonal. Disto resultava o aspecto inacabado e rugoso dos quadros, com cores muito fortes e volumetria pouco definida, para captar a essência em detrimento do detalhe

Os temas, que não passam de pretextos para exploração de potencialidades luminosas, giram em torno da vida quotidiana burguesa, desde as festas aos demais convívios, no campo ou na cidade.

Manet é o grande precursor deste movimento, que se afirma com o trabalho de Monet, Renoir, Pissarro e Degas. É de “Impression Soleil Levant”, por Monet, que o movimento recebe o seu nome, e, no fundo, é precisamente esse o seu objectivo: impressionar; representar as impressões imediatas do artista ante uma variação de luz, um qualquer evento, sempre num estudo fugaz.


Arquitectura Romântica

O Academismo Clássico é rejeitado, em prol de novas convicções de irregulariade volumétrica, efeitos luminosos, planos imbuídos de movimento e decoração pitoresca. A Arquitectura Romântica, em vez de domar a Natureza, vai-se mesclar nela, fundindo-se harmoniosamente, imitando-a, buscando nela inspiração e medida – agora, torna-se notória a preocupação com a inserção do edifício no meio envolvente.

A sua estruturação é irregular e variada, e a tendência decorativa é para a grande atenção aos pormenores, usando-se ferro e tijolo vidrado, os novos materiais industriais.

Revivalismo eclético e exótico – é como pode ser chamado o modo como a arquitectura romântica floresceu; reunindo inspiração nos estilos arquitectónicos passados de cada nação europeia, e fundindo-os entre si e com os de civilizações exóticas, da Ásia ou África. Reinventam-se os estilos bizantino, mourisco, indiano, românico, gótico, renascentista, barroco, com a adição das novas influências modernas e da mística que cada autor imprimia aos seus projectos.

Em Portugal, a arquitectura oitocentista inspira-se no românico, gótico, manuelino, mourisco e oriental. Desde o Palácio da Pena, à Estação Ferroviária do Rossio, à Praça de Touros do Campo Pequeno, ao Palácio do Buçaco, ou ainda (tardo-romântica) a Basílica de Santa Luzia


Gustave Eiffel e a 1ª Exposição Universal

O engenheiro Gustave Eiffel (1832-1923) representa o exponente máximo da ruptura tecnológica e científica na Europa do século XIX. Suas obras incluem os projectos da Torre Eiffel, da Estátua da Liberdade e das comportas do Canal do Panamá, de carácter pioneiro e emblemático.

Herdeiro do espírito inventivo da Revolução Industrial, quando a Arquitectura é do primado dos engenheiros, responde às novas questões postas pela novidade com soluções pragmáticas e estetas – a simbiose entre a funcionalidade e a nova estética. O engenheiro substitui o arquitecto por ter uma formação tecnicamente mais adequada aos novos meios de construção, além da sua sensibilidade pragmática.

A generalização do uso do ferro e do vidro possibilita o surgir de novas respostas para plataformas de transportes ou para estruturas de edifícios. E, detendo Inglaterra uma poderosa indústria siderúrgica, vai mais rapidamente adoptar estes novos paradigmas de construção.

As exposições universais, começadas na segunda metade do século XIX, surgiram como fruto da necessidade de divulgar e partilhar novas informações, produtos e tecnologias da Revolução Industrial. A primeira, realizada em Londres, a 1851, teve lugar no “Palácio de Cristal”, grande êxito funcional e estético, executado rapida e economicamente, vindo a marcar a grande ruptura com os conceitos arquitectónicos clássicos como grande paradigma do edifício moderno, inspirando imitações por todo o mundo. As exposições universais personificavam a apologia da maquinaria e tecnologia sobre a tradição.

Os engenheiros afirmaram, com o Palácio de Cristal, a sua nova apologia à modernização das edificações, aos materiais industriais (ferro e vidro), à estruturação orgânica sobre as paredes, aos espaços translúcidos.


Escultura Romântica

Na medida em que as suas técnicas não permitem explorar a espontaniedade do artista como outras artes fazem, a Escultura não ganhou grande destaque entre os Românticos.

As composições são movimentadas e dramáticas, exaltando a expressividade emocional das representações, que deixam de ser estáticas e polidas como no Neoclassicismo. Os temas passam pela inspiração natural/animal, pela Alegoria, pela fantasia literária ou histórica e pelo retrato. Muitas vezes a Escultura Romântica jogou com contrastes de preenchimento e vazio, combinações de texturas e pormenores aparentemente inacabados.

PREAULT – conhecido pelas suas posições pacifista e socialista (“Massacre”)

RUDE – notáveis altos-relevos e estatuária de vulto redondo (“A Marselhesa”, alto-relevo)

BARYE – preferiu temas animalistas (“Jaguar devorando Lebre”)

CARPEUX – marcado pelo erotismo, naturalismo, dinamismo e tensão, através da sinuosidade do escorço (torção) nos seus corpos, e o carácter exacernado do sentimento do assunto (“Ugolino” ou “A Dança” na Casa de Ópera Parisiense)

Entre os escultores portugueses, constam Victor Bastos ( exaltou heróis como Camões com forte expressão emocional) e Camels (estátua equestre de Pedro IV); Ambos colaboraram na decoração escultórica do Arco da Rua Augusta.


Pintura Romântica

É na pintura que o movimento romântico vai encontrar a sua mais forte expressão. Encontrou expressão por toda a Europa e pelos Estados Unidos. Géricault e Delacroix, na França; Friederich, na Alemanha; Turner e Constable, na Inglaterra; Goya, na Espanha.

Em Portugal, cingiu-se a uma expressão dispersa, pouco consistente, essencialmente impulsionada por estrangeiros radicados ou de passagem. Praticou-se especialmente a Paisagem naturalista, a História Medieval, a Vida rural e mística e o Retrato. Alguns dos grandes nomes nacionais desta corrente são Roquemont (focado na vivência campestre), Luís Pereira Menezes (grande retratista), Tomás da Anunciação (preferiu cenas bucólicas, e foi acima de tudo Naturalista), Francisco Metrass (exalta episódios históricos de grande relevância simbólica em Portugal).

Os “Nazarenos“, grupo alemão neoclássico inspirado pela Roma renascentista, será uma das principais influências da pintura desta corrente (estes almejavam uma arte depurada, que regressasse à valorização espiritual, ao virtuosismo artístico do Renascimento). Entre os principais seguidores dos Nazarenos, estão os “Pré-Rafaelistas“, que reagiram contra a Academia, centrada no Renascimento, para se focarem no Gótico e no Renascimento anterior ao pintor Rafaello Sanzio. Estes pintores ingleses tardo-românticos criaram a transição da Pintura para o Realismo e para o Simbolismo.

O Pintor Romântico faz valer a sua expressão pessoal, libertando-se dos ditames da encomenda externa para seguir os impulsos artísticos dos seus estados de espírito. Deste modo de pensar a Arte, nasce uma Pintura individualista e diversa, que inova tanto na forma como na plástica (representando mesmo o advento da grande renovação pictórica que acontece no início do século XX)

As Temáticas da Pintura Romântica passam por representações:

  • Históricas – de que se preferem os episódios medievais, numa leitura enaltecedora do herói idealista e abnegado que se entrega à sua causa;
  • Literárias – buscando inspiração nos romances de cavalaria medievalescos, nos clássicos (como Virgílio) e nos renascentistas (como Dante ou Shakespeare);
  • Mitológicas – nórdica e cristã, com grande acentuação no misticismo e espiritualidade da mensagem;
  • Retratistas – de ofício ou honra, mas também de populares anónimos, e, por regra, em representações subjectivas, emocionais, psicológicas;

Contudo, a Pintura Romântica vai incidir sobre novos referentes, como:

  • Temáticas da Actualidade coeva socio-política, como desastres, reinvidicações sociais, lutas nacionalistas e libertação de minorias etnicas (sendo a pintura romântica muitas vezes marcada por um sentido intervencionalista);
  • Temáticas Oníricas, em que se explora a imaginação do autor, as suas fantasias, sonhos, o subconciente e absurdo dos seus pensamentos;
  • Costumes populares, tradições e hábitos folclóricos
  • Civilizações exóticas, não-europeias, como o Norte de África, a China ou a Índia;
  • Vida Animal
  • Paisagens, numa representação emocional, em que o autor usava a Natureza para espelhar seus sentimentos/estados de espírito.

GÉRICAULT – obcessecado com o dramatismo heróico e a condição humana, reflectidos com exacerbada emoção.

DELACROIX – orientalista, sensual, cruel, dirigido à mensagem política, expressando-se através da exaltação dos sentidos.

FRIEDERICH – prefere paisagens inóspitas e agrestes, em que o Homem representa uma oposição, uma perturbação do estado indómito natural, sugerindo meditação, devaneios interiores, comoção; é parco em detalhes e mantém o público em certa suspensão/indefinição.

CONSTABLE – é dos que mais veracidade imbui às suas representações da Natureza (nas formas, cores e ambiências), ainda que não deixe de transformá-la, numa composição idílica de grande sensibilidade e poesia (“a pintura não é senão outra palavra para sentimento”).

TURNER – entrega-se frequentemente a cenas marinhas, por diferentes ambientes climáticos,  muitas vezes desenhando uma baixa linha de horizonte e atribuindo grande peso visual ao céu, cujos jogos de luz e cor quase se tornam precursores do Impressionismo. Apesar de a presença humana não ser estranha às suas obras, é normalmente cingida a um segundo plano, em prol da própria Natureza envolvente.

GOYA – muita da sua obra é marcada de um tom sinistro, trágico; seus retratos são ecléticos, extendendo-se pelas várias castas da sociedade.

A Execução da Pintura Romântica

A espontaniedade e a o individualismo marcam esta forma de Arte. Recebe ainda muitas influencias do academismo neoclássico, usando tratamentos de claro-escuro realistas e naturalistas, comportando excepções que simplificaram o desenho das formas e as sombras, estilhaçando as noções de tridimensionalidade. Os valores emocionais da cor ganharam grande destaque nas preocupações do autor, que criaram fortes constrates e intensas transições de claro e escuro, obtendo dramatismo luminoso para exacerbar a sentimentalidade e expressividade. Frequentemente, os artistas traduziam as suas ideias tão-somente através de aguadas, esboços ou formas pictóricas incompletas, que lhes valeram a rejeição por parte das autoridades académicas.

O trabalho a cor foi preferido sobre o desenho linear, e preferiu-se o óleo e a aguarela, com pincelada fluída e espontânea (entre outras novas formas de trabalhar os meios actuantes, como a aplicação das tintas com esponjas ou com os dedos), o que reduzia a nitidez dos volumes.

As estruturas na composição são movimentadas, desequilibradas, sinuosas, oblíquas, desviando os focos de atenção. A figura humana é representada em escorço, não obedecendo aos cânones clássicos, movendo-se de forma dramática.


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